Graffiti 2 min read

Sonhos Infantis

Crianças acordadas também sonham. Essa peça nasce daí — de um rosto que não está dormindo, mas claramente está em outro lugar.

Sonhos Infantis

Crianças acordadas também sonham. Essa peça nasce daí — de um rosto que não está dormindo, mas claramente está em outro lugar.

Fui convidado pelo diretor da escola. Ele conhece meu trabalho, e isso já diz muita coisa: não foi uma chamada genérica, foi um convite de quem escolheu.

A escola era a Clovis de Lucca, em São Bernardo do Campo. Na mesma sexta-feira, a Telefônica realizava ali o seu evento do Dia do Voluntário. Dois projetos acontecendo lado a lado, cada um à sua maneira, sem pedir nada em troca.

Ao meu lado estava o Guilherme — o Gnom_Graff — cuidando do portão da escola. Cada um no seu espaço, no seu ritmo, no mesmo silêncio de quem trabalha com tinta e não precisa de muito mais.

Essa peça pertence à série Sonhos de Menina, mas eu a chamei de Sonhos Infantis.

A diferença é pequena, mas importa. No Sonhos de Menina, as crianças dormem — a mente viaja enquanto o corpo descansa. Aqui, a criança está acordada. O olhar é alegre, levemente pensativo. Está presente e ausente ao mesmo tempo, do jeito que criança consegue ser sem esforço nenhum.

O preto e branco é o mesmo. A vida que acontece por trás do rosto também.

Tem um olho no graffiti.

Sempre desenhei olhos. É uma das coisas que as pessoas associam ao meu trabalho antes de qualquer outra coisa. Nessa peça ele aparece no muro em si — separado do rosto, mas parte da composição. Um olho de fora, olhando junto.

Não planejei muito a explicação. O olho estava lá antes de qualquer justificativa.

Foi trabalho voluntário. Como a Telefônica naquele dia, como o Guilherme, como qualquer coisa que se faz porque faz sentido, não porque alguém pediu.

A escola ficou com um rosto novo na parede. Eu fiquei com a sensação de ter estado onde devia estar.